20 de fevereiro de 2017

SILÊNCIOS, CANSAÇO E CRISES DE GASTRITE


Não me pergunte o porquê de querer ficar em silêncio, apenas me deixe aqui no meu canto, pensando na vida, contando quantas horas ainda tenho até que a próxima crise de gastrite venha me atingir. Depois eu te explico o que aconteceu. Mas é que aconteceu tanta coisa que nem sei por onde começar. Só me deixa quietinha, tô precisando organizar alguns pensamentos e emoções, não se preocupe, não vou me jogar do alto de um prédio nem nada, apenas preciso do meu tempo longe desse barulho todo. Já desliguei a televisão, o celular deixei em modo avião, fui conversar com as estrelas, talvez elas me entendam ou possam levar para longe todo esse meu cansaço. 

É cansaço da vida, de ter a sensação de não sair do lugar. É aquele vazio que não se consegue preencher. Cansaço de tudo. De estar rodeada de pessoas e ver apenas bocas, corpos, que também estão vazios por dentro. Que não se preenchem. E eu me pergunto como eles conseguem se manter de pé? Talvez eu seja alma demais, sentimento demais. Intensa demais. 

Calma, respira, não pira. Me deixa aqui na minha cama, no meu aconchego, não tô a fim de papear. A noite passada não foi fácil, o passado resolveu me visitar e como bom amigo que não é, cutucou até as feridas mais antigas. Fez sangrar, me fez soluçar de tanto chorar, mas ainda bem que as paredes são grossas e ninguém conseguiu me escutar, não tenho a menor condição de explicar o que aconteceu. Só preciso do meu silêncio, do meu momento pra refletir sobre o que tenho feito. Hoje é preferível ficar em casa, a lua, as estrelas, meus animais de estimação e esse frio congelante vão me fazer companhia. 

O cansaço do dia a dia vem me subtraindo cada vez mais e eu estou a um passo de desabar. As dores no estômago tem ficado piores a cada refeição que eu não consigo completar. São as dores de cabeça que eu enfrento todas as noites, são as minhas confusões internas, são os medos, os planos frustrados, as cobranças, talvez a crise dos vinte esteja se aproximando e só eu não percebi. É um peso apertando o peito, é a vontade de sumir lá se sabe pra onde, é a necessidade de fazer algo que se gosta, de ser alguém importante no meio de sete bilhões de pessoas, é a vontade de viver e não apenas sobreviver. Sou eu com os meus silêncios, tentando vencer o cansaço e suportar as crises de gastrite.

Um comentário:

  1. Que texto intenso, aliás, ótima escrita! Acredito que todos nós já passamos por esta situação, me identifiquei bem, estou sempre tentando vencer o cansaço, mas nada melhor do que nos afastar desta poeira e nos chacoalhar pra animar! ♥
    Continue a escrever.

    Um cheiro,
    Ge.

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