10 de agosto de 2017

#BEDA10 | A VIDA ADULTA E EU QUERO SUMIR

e então eu me deparo com uma criança de 9 anos me dizendo: mas você já é adulta! 

Certo dia estava eu conversando com uma amiga sobre a minha paixão por festas infantis, por filmes de animação e por brinquedos. Se revelava ali minha criança interior. Eu dizia: quero um dia fazer uma festa e alugar um pula-pula e uma piscina gigante de bolinhas, pra brincar até não aguentar mais. E então eu me deparo com uma menina de 9 anos me dizendo: mas você já é adulta! Parei no tempo. Será mesmo que já sou adulta? E se sou, porque não posso gostar de coisas assim? São coisas infantis demais pra mim? Lembro-me bem de um texto que li por aí: Não deixe sua alma envelhecer, senão o corpo padece, sua natureza entristece, inerte. Senão as maleabilidades da vida tornam-se rijas e inoperantes. (Marcos Leonidio) 


A gente percebe que cresceu quando a roupar e a louça suja continuam no mesmo lugar se você não lavar. Que o café não se faz sozinho, que a casa vai continuar a mesma bagunça se você não tomar coragem para arrumar. São os clichês que eu sempre ouvi e demorei a entender que um dia chegariam. E eles chegaram, e todos os dias algo novo aparece.

Sou eu marcando minhas consultas, os exames de rotina, indo sozinha ao médico, fazendo minha própria comida. É tudo meio esquisito, até a gente começar a se acostumar. A gente vai se acostumando com o peso da vida, com os dias nublados. Começamos a entender que crescemos, quando não existe mais a boquinha de só mais 5 minutinhos pra levantar, de que mesmo doente você precisa se por de pé porque a vida não quer saber se você tá bem ou mal, você precisa trabalhar, estudar, lutar todo santo dia pra realizar os teus sonhos. E no meio dessa vida adulta vejo muita gente deixando pra traz os sonhos que um dia tanto amou. E vão se tornando duras, com o coração de aço, de pedra, de qualquer coisa que não seja carne. A pele vai criando suas marcas, os olhos inchados das noites mal dormidas, as olheiras estampando o cansaço, a coluna torta, calos nas mãos e dores nos pés. A vida adulta chegou e eu ando querendo sumir, é que ser criança era tão mais fácil, o joelho ralado se curava com um beijo, e pra curar minha ansiedade, como faço? Alguns compridos por dia? Isso não tem me ajudado muito.

Cadê a minha mãe que colocava meu almoço e cortava a carne em pedaços pequeninos porque eu não sabia usar faca? Cadê meu pai que me levava pra escola e se despedia com um beijo em meu rosto? Cadê meus amigos que me chamavam pra jogar bola, empinar pipa, ficar sentado na calçada falando besteira de como a vida adulta parecia incrível? Tudo passou tão rápido e a ficha ainda não caiu.

Dane-se que são coisas infantis, eu sou assim, adulta e criança ao mesmo tempo, não vou deixar morrer meu lado criança. Que envelheça o corpo, que apareçam as rugas, mas que a minha alma continue viva, aproveitando cada pedaço da vida.

#BlogEveryDayinAugust2017

4 comentários:

  1. Menina o tempo passa rápido demais e a gente nem percebe. Cá estamos nos, adultos, fazendo tudo aquilo que um dia pensamos em fazer... Nossa! Saudades infância, saudades.
    Beijão♥

    www.ricknegreiros.com.br

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    1. Difícil de acreditar ne?! Jaja estaremos velhinhos hahaha

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  2. Bateu uma nostalgia aqui! A gente pede tanto para crescer, porém quando a gente finalmente cresce pensamos que o tempo poderia ter demorado e esperado mais...
    Ahh como era bom sentar na calçada, brincar de várias coisas e ser feliz com pouco. Como era bom os amigos por perto e as risadas que nunca paravam...
    Só resta saudade.

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    1. Só saudade mesmo. Como não dá pra voltar no tempo só nos resta aproveitar cada pedacinho da nossa vida daqui pra frente <3

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