15 de novembro de 2017

Re.co.me.çar


3:12hr da manhã, duas horas de ligação, conversas, risadas, declarações e um peso apertando o peito que me impede de respirar. Eu não sei ao certo que nome dar a esse sentimento, se é amizade ou se é amor, mas talvez seja a união dos dois que vem me matando pouco a pouco. Tá doendo tanto e eu nem sei explicar. É aquela dor que te falei tempos atrás, como se eu fosse te perder. Melhor dizendo, como se eu já tivesse te perdido. Eu desliguei a ligação porque meus olhos se encheram de lágrimas, assim como nesse momento em que escrevo e eu me sinto desabando e não é nos seus braços. 

Eu queria não sentir nada, nothing. Queria mesmo não sentir tanta falta, não sentir que eu tô em uma corda bamba e que a qualquer passo podemos cair. Eu queria, quero e tenho tentado recomeçar do zero, e vejo isso todos os dias no meu reflexo no espelho. É um passo por dia, é um pedaço a menos do que eu fui, é um pedaço a mais de quem eu sou, de quem poderei ser. Mas os teus olhos não enxergam porque eu me tranquei por tanto tempo que tudo que tu vês, é o meu apego ao passado. Mas te juro, eu tenho melhorado. Abre os olhos, eu tô aqui.

Madrugada de feriado, minha cabeça no travesseiro, um sorriso torto, uma lágrima, tímida, assim como tenho feito com tudo que sinto. Hoje é feriado, o Brasil parou e meu coração ainda continua trabalhando, minha mente e seus serviçais destruíram cada parede, cada coluna mal feita, cada pedaço do meu antigo eu. 

Da madrugada que se passou, só restou a poeira, eu ajudei a derrubar tudo, cada janela, cada cômodo. Tô mandando embora todos os resquícios dos meses e anos que se passaram, já não sou pequena, e nem me deixarei caber onde não me cabe. Apertada, doída, sem ar. Queimei os livros, as fotografias, as cartas. Deixei o vento levar, porque preciso me sentir leve, porque preciso voltar a sorrir sincero, porque preciso seguir. 

Estou recomeçando, e se quiser acreditar em mim, me dê a mão. O espaço é livre, e é todo seu. Faça uma nova planta, construa minha (sua) nova casa. Escolha os materiais, as cores, a forma. Estou te dando de presente, você não precisa mais pagar aluguel. E se não quiser, tudo bem. Montarei um campo de girassóis; assim, o sol continuará me visitando e o espaço agora vazio, se tornará marca do amor. 

ps.: Depois de me sentir perdida por muito tempo, sem saber sobre o que escrever e como escrever, eu decidi falar sobre tudo que eu tenho sentido, sobre cada dor, sobre cada pontada que eu sinto no meu coração. Você me falou que queria que tudo que eu escrevesse fosse verdade, então eu escrevo sobre tudo isso para que saiba que é real.

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