19 de fevereiro de 2019

Eu tô tentando me encontrar


Depois de certo tempo, eu aprendi a fugir das palavras, a fugir do que eu sentia e a virar o rosto sempre que algo parecia me afetar. Não sei ao certo quando todo esse desgosto tomou conta da rotina, qual foi o dia exato em que eu resolvi parar de escrever para não deixar fluir o que eu sentia e ainda sinto, mas isso foi se acumulando em meio aos dias e hoje, nessa madrugada em que escrevo, me questiono seriamente "do que tenho tanto medo"? 

Tenho guardado amores de muitos meses, tenho sufocado cada dorzinha e soluço que pulsa em mim, a cada vez que algo surge, eu corro para longe e me escondo: não quero sentir, não quero ouvir falar, só quero deixar ir. Mas, sabe? Não tenho tido muito sucesso com essa minha ideia, por aqui existe sentimento demais guardado, e aos poucos eu quero muito colocar pra fora, pra ver se alivia o peito, pra ver se eu não morro engasgada toda vez em que eu desabo em lágrimas. Quero parar de fugir do que houve, do que me afetou, de tudo que me fez bem e de tudo que me tirou um pedaço. 

As crises de ansiedade tem voltado cada vez mais fortes, com palpitações que fazem meu coração quase pulsar fora do peito. Chá de camomila tem ajudado, quando não ajuda eu tomo remédio, ai eu desacelero um pouco e volto pra rotina. 

Eu estou tão pesada interiormente, que eu acho que tenho que cavar muito e muito mais fundo pra poder encontrar a raiz do problema. Esconder o que se sente por tempo demais, gera entulho demais e cansaço demais, e uma hora ou outra você precisa parar, é isso que estou tentando fazer, parar um pouco e olhar pra mim com outros olhos, ver se eu ainda existo por aqui, ver se eu ainda tenho como me curar, ver se eu ainda sei mesmo cuidar de mim. 

No meio do caminho eu não abandonei apenas a mim mesma, abandonei muitos amigos, muita gente bacana que se preocupava comigo, que me queria bem e sorrindo. A ansiedade às vezes faz isso com a gente, faz a gente ver coisa onde não tem, e quando ela vem, eu fico sozinha, pois é a melhor forma de lidar com tudo, por gostar do silêncio e da solitude, quase não me importo em não ter alguém por perto. Mas chega uma hora, que conversar com as paredes não é mais a mesma coisa que conversar com alguém de carne e osso, que te fita os olhos, te estende a mão e te faz ficar quentinho dentro de um abraço. É isso, tenho sentido falta de carinho, de conversas jogadas fora, de papos aleatórios, de abraços que de tão apertados beiram a rachar alguns dos meus ossos. 

Um comentário:

  1. Fugir da escrita nem sempre é a solução, muitas vezes é nela que encontramos o abraço e carinho que tanto procuramos. Mas pausa também é necessário, respeitar os nossos limites e nos reencontrar sempre.

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